• Leia a crítica da quarta temporada de 'House of Cards'

  • Leia a crítica da primeira temporada de 'Sense8'

  • Vinyl: uma série que você precisa assistir!.

7 de jul de 2017

Interestelar; Westworld e a magia do mistério.


ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DE 'INTERESTELAR'


No ano de 2016 a HBO nos presenteou com uma das melhores produções para a televisão do ano (de muitos anos!); faltando alguns [vários] meses para a estreia da próxima temporada (segundo semestre de 2018) e ainda refletindo sobre a história, o momento pareceu oportuno para exorcizar alguns demônios. Então o [demônio] escolhido foi 'Interestelar' de Christopher Nolan, um dos maiores sucessos do diretor e certamente um marco visual no cinema; tanto na forma de filmar em IMAX quanto em soluções visuais que serviram para agregar ainda mais no estudo do espaço, e mesmo que o diretor consiga entregar uma ficção científica digna de Carl Sagan no final das contas, 'Interestelar' ainda sim é um filme que se sustenta em uma "falsa genialidade", que se entrega ao óbvio... um filme superestimado!
Cooper, interpretado por Matthew McConaughey
A ficção científica (sci-fy) sempre buscou a reflexão da nossa sociedade através de um olhar cético e científico, seja para falar sobre espiritualidade ou mesmo sobre nossa natureza comportamental. Desde o clássico de Andrei Tarkovsky, 'Solaris' - que levava a humanidade à uma viagem de descoberta científica que no fim das contas reflete em nossa humanidade e nos reais problemas que temos; ou também talvez a obra-prima do sci-fy, o filme que talvez que mais que 'Westworld' é responsável por esse texto , '2001 - Uma Odisseia no Espaço' de Stanley Kubrick. Sem duvidas o perfeccionismo do diretor tanto no roteiro quanto na sua forma de filmar, de posicionar os atores em cena e claro o cenário que envolve a história; ajuda a criar uma obra que desafia nossa mente, nos faz abraçar o desconhecido e o ponto chave: o filme não tem medo de abraçar o mistério. O sentimento de saber que você não sabe sempre motivou a humanidade a buscar a evolução; o questionamento de "quem somos e pra onde iremos" nos empurrou a uma evolução enquanto seres, buscamos mais do que nunca entender o que é este local que chamamos de universo, o que tem além do que já vimos, até onde podemos ir.

Em 'Interestelar' o diretor nos entrega tais questionamentos, porém numa camada rasa; o roteiro do filme que [como dito antes] se sustenta em uma falsa genialidade, os personagens se interagem entre si apenas porque o roteiro manda, suas interações vem de uma necessidade de entregar informações para os espectadores. O exemplo mais gritante dessa superexposição do filme é quando um astronauta físico quântico se sente na obrigação de explicar para outro astronauta, este engenheiro, como um buraco de minhoca funciona. Por mais que parece normal, será mesmo que é tão comum assim dois astronautas que embarcaram numa missão de reconhecimento de um buraco de minhoca (esta uma das ultimas esperanças da raça humana) precisarem explicar um ao outro o que um buraco de minhoca é ? E como ele dobra o espaço e o tempo ?


 Quando penso em '2001', por outro lado, a primeira coisa que vem a cabeça é o sentimento de não ter entendido o filme; "o que significa aquele monolito, e o bebe ?" Sempre buscamos saber das coisas, e isso faz com que nos fiquemos enlouquecidos atrás dessas respostas, nos incentiva a evoluir enquanto seres pensantes, a sair da zona de conforto. Da mesma forma que em 'Interestelar' Cooper vai até o fim para saber o que tem além do Horizonte de Eventos, até hoje me vejo criando teorias de qual é a influencia do monolito na evolução dos homens no filme de Kubrick. Chegamos no ponto onde a obra de Nolan se entrega ao fácil e à bilheteria; num terceiro ato que age como uma revisão escolar dos dois atos anteriores. Um arco que é esticado além do ponto de ruptura e entrega um final esquecível; que se abdica de qualquer responsabilidade que o sci-fy tem com o mistério e com a capacidade de incentivar a curiosidade humana. Se mantendo piegas e mais uma vez empurrando goela abaixo o "final feliz".




Eis que um Nolan, desta vez o irmão (bem menos conhecido) Jhonatan chega com uma proposta de sci-fy que remete as grandes obras de Isaac Asimov; trazendo uma abordagem tecnologia para questionar nossa sociedade. Lhes apresento 'Westworld', uma obra-prima da televisão moderna. Produção de primeira, com nomes no elenco como Anthony Hopkins e Rodrigo Santoro. Digna de qualquer superprodução de Hollywood, a série da HBO baseada no filme homônimo de 1973 nos entrega uma narrativa corajosa e inteligente.


Reprodução: HBO
Com uma primeira temporada perfeita, com um arco narrativo que não se apegava a clichês da TV - como os famigerados cliffhangers (o gancho pro episódio seguinte) - em 'Westworld' a preocupação e contar uma história de uma forma que o mistério faça parte da experiência do espectador. Diferente do filme de [Christohper] Nolan, a série nos instiga a refletir sobre o que estamos vendo, se estamos tão perdidos como os personagens ou se as coisas são como parecem ser; não há momentos de certeza absoluta em 'Westworld' e a sensação de que algo está errado não sai da cabeça.

Uma forma inteligente que a série usa para explicar o seu mundo e suas regras é visualmente, quando estamos nos escritórios da Delos acompanhando Ford (Hopkins) e seus funcionários, podemos ver que quase todas as paredes são de vidro, que vemos tudo que esta acontecendo nas salas; a criação dos androides em todas as fases. Dessa forma o roteiro falado da série não se preocupa em desacelerar a ação para nos explicar; sobra espaço para criar ainda mais uma atmosfera de mistério que vai se desenrolando (e enrolando) com o passar dos episódios. Não é uma questão de meritocracia, mas quando a chegada só vem com esforço o sentimento de realização é maior, e da mesma forma em 'Westworld' quando descobrimos sozinhos a sensação de ter desvendado a charada é mais que gratificante. Nesta jornada de mistérios, a série encontra espaço para discutir sobre o comportamento humano, os desejos e sentimentos mais profundos e obscuros que todos carregamos e como um ambiente com condições propícias podem nos transformar em qualquer tipo de pessoa.

O mistério e a curiosidade são os combustíveis da evolução humana, e se a vida imita a arte nossos próximos dias podem muito bem se pautar em buscar respostas para todas as perguntas do universo. Temos tempo para descobrir por conta própria, ou melhor, temos a capacidade para isso. Se a pergunta é para onde vamos, então busquemos desvendar esse mapa; busquemos mais filmes e séries que nos façam roer as unhas para desvendar o que está acontecendo; e cada vez menos se ludibriar com o "falso gênio".

7 de mai de 2017

Cara Gente Branca; Racismo e #pretosnotopo


Desde 2014 com 'Orange is The New Black' e em 2015 com 'Sense8', o serviço de streaming Netflix aborda questões que permeiam na sociedade atual. Com uma abordagem mais cômica nas primeiras temporadas de 'OITNB', e com a a sensibilidade das irmãs Wachowski em 'Sense8' a "locadora vermelha", se firmou na forma de trazer assuntos pertinentes para o meio pop.

Em 2016 tivemos a primeira série protagonizada por um herói negro, 'Luke Cage'; que por mais que não se aprofundou em questões mais radicais (já que a preocupação da Marvel/Netflix é juntar os 'Defensores'), já mostrou como é a vida de um negro nos EUA. O racismo, que está entranhado na sociedade norte-americana junto da cultura meritocracta e toda a apropriação da cultura negra; que gera uma marginalização dos próprios negros - que perdem seu espaço cultural já que o padrão branco é predominante.

Já neste ano de 2017, o debate sobre a cultura negra já estava permeando nos meios virtuais; em especial no cenário do Rap nacional, onde MC's como Coruja BC1, Rincon Sapiência, Baco Exu do Blues, BK, Djonga, Froid e Drik Barbosa; trouxeram versos que falam sobre a apropriação da cultura do Hip-Hop (predominantemente negra). Na música 'Poetas no Topo 2' o MC Baco Exu do Blues, em uma de suas linhas diz que "Rap tava tipo Michael Jackson, doente branco. Mas não deixamos, nós o curamos"; lembrando que o cenário da musica vendia grupos de Rap e MC's brancos enquanto os negros perdiam seu espaço.


Mesmo que a linha do Baco tenha um tom pesado e parece transparecer um ódio, o que o MC está pregando em seu verso é um problema racial que o sistema vende para a sociedade. O Rap é um movimento negro, mas toda cultura transcende barreiras étnicas e sócio-econômicas; porém o ponto levantado na musica é que por uma visão racista predominante na sociedade, o mercado vê que é mais fácil "vender" um grupo de Rap com caras brancos e loiros, do que vender três negros de cabelo black power que falam sobre a vida na periferia. Na terceira edição do projeto "Poetas no Topo" os MC's Rincon Sapiência e Drik Barbosa falam também sobre a apropriação cultural e o racismo que permeia nossa sociedade e reflete no padrão de beleza.

"Meu corre é na rua, não na timeline.Faz texto, discursa, posa pros click; Mas não bota uma mina preta nos clipe". Com essa linha Drik Barbosa trás à tona uma questão sobre o "feminismo racista". Já que a nossa sociedade pós-moderna machista, que só da espaço para mulheres como a "grande mulher atrás do grande homem"; porém esta mulher na maioria das vezes não é negra. O sistema acha mais difícil "vender" um filme, um clipe, uma série ou até uma novela onde a protagonista é uma negra que não seja a empregada, dançarina, ou mãe solteira da periferia.



Não tinha melhor momento cultural no Brasil para assistirmos 'Cara Gente Branca'. A produção mais corajosa da TV norte-americana; colocando negros no centro da trama. Personagens que não são os famosos estereótipos de negros, vide o jogador descolado, o nerd e a bonitona que anda com as garotas brancas. Os personagens na série tem profundidade e em cada um dos 10 episódios da primeira temporada, entendemos o que fez aquele personagem ser e pensar de tal forma. Desde negligenciar o racismo, até erguer a bandeira contra e protestar por um futuro melhor - e tudo é colocado na tela de maneira que entendemos as motivações para cada uma das atitudes da série.

Logan Browning interpreta a jovem revolucionária Samantha White na série 'Cara Gente Branca'.

Com um humor sarcástico e ácido, o texto da série encontra situações para refletir o racismo da sociedade norte-americana - e consequentemente da nossa, que compra o o estilo de vida dos EUA sem pensar duas vezes. 'Cara Gente Branca' também acerta em cheio quando coloca o "politicamente correto/incorreto" em xeque; a mascara social que muitos vestem pra não mostrar seus verdadeiros sentimentos, as piadas e os falatórios que são ditos para os negros e são colocados como piadas e gracinhas. Mas que no fim das contas só fortalece a ideia de uma sociedade meritocrata, racista que cria diferentes formas de manter um padrão de controle exclusivo a um grupo de pessoas. Onde os negros, mulheres e gays que conseguem sair desse mar de preconceito; são vistos como os que tentaram de verdade (os "merecedores"). Enfatizando ainda mais a ideia de que negros e negras são abaixo; criando situações como a linha de Djonga na musica "O Mundo é Nosso" com participação do BK: "Na cintura era um celular e eles confundem com um oitão".

No Rap vários MC's apontam 2017 como o "ano lírico". À julgar pelo disco "Heresia" de Djonga e pelas cyphers "Poetas no Topo" e 'Cara Gente Branca', esse ano vai ter muito mais que lírica; a Netflix deu mais um passo para o futuro, provando que está na vanguarda da produção televisiva e de cara trazendo assuntos que permeiam em todas as esferas sociais. Trazendo produções que tem o poder de trazer orgulho para pessoas por serem o que elas são - e por se verem representadas.

Todos os episódios da 1ª temporada de 'Cara Gente Branca' já estão disponíveis na Netflix.

21 de abr de 2016

Séries que você precisa acompanhar #02: The Leftovers

Justin Theroux é o policial que protagoniza a trama.
Provavelmente muitos já devem ter ouvido falar desta série em algum post nas redes sociais; só que o que muitos não sabem, é que 'The Leftovers' é um dos melhores dramas da atualidade. A série é uma produção da HBO e tem roteiro de Damon Lindelof ('Lost') e Tom Perrottta; baseada no livro homônimo escrito por Perrotta.

Não é uma tarefa fácil explicar sobre o que se trata a série, mas a grosso modo; é uma trama fictícia que segue o ponto de vista de Kevin Garvey (Theroux) um xerife de uma cidade nos EUA. No dia 14 de outubro, porém um bizarro acontecimento faz com que 1% da população do mundo simplesmente sumam do mapa, literalmente. A série usa esse background para flertar com o suspense e os mistérios, além de fazer críticas a religião, sociedade e a raça humana.

Sem dar mais nenhum spoiler; apenas afirmo que essa sim é uma série para se acompanhar. Atualmente a série tem 2 temporadas e volta no final deste ano para sua terceira e última temporada.

12 de abr de 2016

Séries que você precisa acompanhar #01: Vinyl


Sexo, drogas e muito rock 'n' roll é a receita do novo drama de 40 minutos da HBO 'Vinyl'. Produzida e criada por ninguém menos de o Rolling Stone Mick Jagger e o mestre do cinema Martin Scorsese (que dirige o primeiro episódio de 1h), a série cria uma nova realidade para o cenário da música nos EUA; com as grandes estrelas da música como Led Zepplin, Alice Cooper e o Rei.

Bobby Cannavale interpreta o produtor Richie Finestra na série. Reprodução HBO.

A primeira temporada da série que ainda está passando na HBO (simultaneamente com os EUA, às 23h) tem um estilo visual, que enche os olhos e junto de todas as referencias que ficam ali no texto, ou em segundo plano; deram uma identidade única para a série. Outro aspecto também, é a trilha sonora que vai desde o Punk Rock, até ao Blues dos bares de Nova York. Sem contar que sempre quando alguma música entra em cena, ela faz parte daquele momento como um personagem - vide a música "Money" do Pink Floyd no quarto episódio.

'Vinyl' é uma boa pedida para todos os fãs de boa música e também para quem ficou "órfão" de séries como 'The Walking Dead' ou 'Game of Thrones'. O último episódio da primeira temporada vai ao ar no próximo domingo (17) na HBO.

House of Cards - temp. 4. Uma das melhores séries do momento volta com a melhor temporada de todas.


'House of Cards'

O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILERS DAS TEMPORADAS ANTERIORES.

No momento certo, a Netflix trouxe a nova temporada de 'House of Cards' - não [só] porque os EUA estão no meio das eleições presidenciais; por mais que soe oportuno essa não é uma série que precisa disso, esse é só mais um dos campos de batalha (ou um palco) dos Underwood.

O grande trunfo dessa temporada da série, foi diferente da terceira que começa acompanhando o ponto de vista de Doug Stamper (Michael Kelly) e à partir dai desenvolve a trama do casal; que é o melhor da série. Na segunda metade to ano 3 da série, diversos problemas no caminho fazem com que Claire e Frank comecem a questionar tudo o que está acontecendo e como as coisas podem fugir do seu controle. A nova temporada começa no meio dessa tempestade que paira sobre eles, como é referido em certo momento da temporada "é possível sentir a tensão nas paredes da Casa Branca". Talvez essa seja a frase sintetiza o que 'House of Cards' é; um jogo sem regras e sem misericórdia.

Ao longo da série, sempre vimos vislumbres da verdadeira Claire Underwood, logo na primeira temporada quando vemos como ela realmente trabalha na ONG, ou quando ela encoraja Frank a vencer a batalha contra Raymond Tusk na segunda temporada; até então o ápice da "fodelancia" da Sra. Underwood fora na terceira temporada, quando ela diz que "nunca deveria ter tornado-o presidente"; desse momento em diante, podemos ver que ela pode desestabilizar Frank e/ou até acabar com ele.

Kevin Spacey e Joel Kinnaman.

Dito isso; os primeiros episódios da temporada focam mais na momento emocional que Claire está passando, as cenas dela junto da mãe que além de serem extremamente bem filmadas, servem para criar uma substancia para a personagem sem usar de artifícios de roteiro mais comuns (como flashbacks); no fim desse "primeiro ato" da temporada a impressão que fica é que nesta temporada Frank não é mais o protagonista, eles foram além disso, transcenderam e são mais que um casal ou "as duas metades", eles são. Já na segunda metade a série encontra um ótimo ritmo entre a campanha pela eleição de Frank e o cotidiano do Presidente dos EUA com uma bem-vinda adição ao núcleo principal, Will Conway (Joel Kinnaman) que rivaliza muito bem com os Underwood; como o rosto novo na política e o exemplo a ser seguido, mas que tem o que é necessário para sobreviver em meio as "tensas paredes" da Casa Branca e do jogo de cartas que é a política.

Sem medo de ir mais além que qualquer outro, e continuando a evoluir a qualidade técnica e artística que são um dos chamariz da série, este quarto ano de 'House of Cards' é de longe a melhor temporada da série. Se séries como 'Breaking Bad', 'Mad Men' ou 'Sopranos' são lembradas por mostrarem anti-heróis que por mais insanos que pareçam, no fundo conseguimos nos apegar a eles, 'House of Cards' apresenta um novo conceito de vilão, que transcende gêneros e até a nossa quarta parede.


Todos os episódios da quarta temporada de 'House of Cards' estão disponíveis na Netflix.  

30 de jun de 2015

Demolidor 1ª temporada crítica - Marvel mostra que está onfire!

'Demolidor'
Muita gente conhece o "homem sem medo" por causa daquele filme de 2003 com o BÁTIMA (Ben Affleck). Pois bem, a Netflix e o Marvel Studios fecharam uma parceria que rendeu cinco novas propriedades para o serviço: 'Demolidor', 'A.K.A. Jessica Jones', 'Punho de Ferro' e 'Luke Cage' e a vindoura série dos 'Defensores'. 'Demolidor' foi a primeira a chegar as telas e de cara já mostrou um lado totalmente inexplorado pela Marvel em seu universo cinematográfico, a violência.

Na série, Matt Murdock (Charlie Cox) e seu parceiro Foggy Nelson (Elden Henson) ambos aspirantes a advogados de defesa. Sua cidade se tornou um celeiro para empreiteiras ficarem mais ricas, depois do "incidente" (Batalha de Nova Iorque em 'Os Vingadores'); nas sombras então, surge uma esperança, algo que não é bom mas está longe de ser ruim, um demônio necessário que luta com as próprias mãos contra a injustiça que assola Hell's Kitchen. Entre suas idas e vindas, o jovem vigilante trilha a jornada do herói - caindo e aprendendo com o erro - e este é um ponto que a série soube explorar com maestria. Murdock não está nem perto de ser um herói e seus primeiros embates; a falta de cuidado e a prepotência do jovem vigilante se tornam inimigos piores que os bandidos que ele surra.

O elenco principal da série é outro ponto positivo da série; além do ótimo trabalho de caracterização de Charlie Cox como um cego, todos os outros personagens são muito bem desenvolvidos - ressalva para o personagem de Toby Leonard Moore, que demora muito para engatar. O Rei do Crime da série, vivido por Vincent D'Onofrio ('Nascido Para Matar') também tem uma jornada um pouco demorada, porém todo o contexto em que ele é apresentado justifica esta "demora". E o seu memento de fúria paga por toda a espera - ainda que ele não seja o vilão que conhecemos dos quadrinhos, pistas para este crescer na segunda temporada ficão no ar.

Vincent D' Onofrio como o Rei do Crime.

No que diz respeito a ação, 'Demolidor' não deixa a desejar. As sequencias de luta são muito bem coreografadas e a direção e fotografia da série - que remetem a um estilo mais noir e pesado - realçam ainda mais a sensação de brutalidade, no geral não há pontos fracos e a sensação que fica é que estamos assistindo a um filme de ação de 13 horas com censura 18 anos. O mesmo pode se dizer de toda a construção do universo que ao mesmo tempo que é verossímil, os aspectos mais característicos dos quadrinhos se encontram na Hell's Kitchen da série.

A proposta da Marvel e do Netflix de criar um universo que vive à margem dos grandes acontecimentos do universo cinematográfico dos Vingadores; onde as histórias são mais cruas e perto da nossa realidade e onde também heróis e símbolos são criados.



Mais que mostrar um viés totalmente diferente do que vemos no cinema, a nova proposta da Marvel da a redenção a um personagem que nunca foi bem aproveitado em outras mídias. Finalmente um "filme [de 13 horas]" à altura do Demolidor.

Todos os episódios da série estão disponíveis na Netflix.

27 de jun de 2015

Sense8 1ª temporada crítica - As loucuras dos Wachowski fazem mais que quebrar tabus e chocar.

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'Sense8'

Os irmãos Wachowski foram eternizados como ícones do cinema de ficção depois do sucesso de 'Matrix'. Em 'Sense8' - a nova produção dos irmãos para o serviço de streaming Netflix junto do mestre dos quadrinhos [e da cultura pop em geral] J. Michael Straczynski - vemos estampado na tela muitas das bandeiras que sempre foram levantadas nos filmes dos Wachowski; lutas de classes, preconceito étnico, e a grande discussão sobre corporações que tentam comandar a maneira como vemos e entendemos o mundo.

 A premissa da série até lembra um pouco 'A Viagem' - várias pessoas divididas entre o espaço/tempo que de alguma maneira estão conectadas. Sim é tão louco quanto soa, e o trunfo da série é deixar que o espectador faça parte dessa loucura, ao apresentar um elenco principal de oito personagens ([não]daí o nome 'Sense8'). Cada personagem é muito bem desenvolvido e é muito fácil se apegar a eles, independente de suas atitudes - não é uma simples história de mocinhos e vilões; assim como nós são pessoas que tem que viver com as consequências de suas atitudes, para o bem e para o mal. Os oito sensates, como são chamados, "renascem" e descobrem que agora não são apenas um mais, que agora fazem parte de um grupo e de algo maior que eles mesmos.

Como já é de praxe do Netflix, todos os episódios da primeira temporada foram entregues juntos e isso faz com que a série não se perca em algum momento, que tudo seja mais conciso [mesmo que tudo que aparece em tela seja pura "loucura"]. Os Wachowski assumiram a direção da maioria dos episódios da temporada e o ritmo de mistério e intriga dosado com momentos de ação de boa qualidade fazem com que fiquemos presos na série até o final; após o final de cada episódio queremos saber de onde vem estes sensates ou se o Van Damn vai se safar!

Além de todo o primor em contar uma história, o roteiro da série ainda acha espaço para colocar tabus na mesa e causar a discussão. Questões como opção sexual são muito bem abordadas na série e colocam não só os tabus abaixo como também os estereótipos mais "clássicos" - sem spoilers, nada mais a declarar. 'Sense8' tem uma importância muito grande nesse momento em que vivemos, num mundo que está cada vez mais mudando e que as "minorias" se tornam parte do todo.

Freema Agyeman e Jamie Clayton.

'Sense8' é mais que uma série "viajada", que uma série feita para chocar públicos e que "a nova produção dos irmãos Wachowski". Com uma história excelente, personagens incríveis, um senso de mistério que lembra os bons tempos de 'Lost'; a série faz muito bem tudo que promete fazer e se torna uma referencia, uma bandeira a se levantar, da paz, da igualdade e do amor.


Todos os episódios da primeira temporada da série estão disponíveis na Netflix.

21 de mai de 2015

"...nas tardes dos dias aí."

O cara que escreve [ou pelo menos escrevia] nesse blog não vive (apenas) de assistir filmes; ele também tenta fazer os seus clipes.

Algumas imagens de Matheus Luiz Eduardo Wellington e Alexandre. #Gopro #Hero4
Posted by Antonio Canineo Ferreira on Thursday, May 21, 2015

10 de fev de 2015

Birdman crítica - A inesperada virtude do bla bla bla.

'Birdman', 2014. direção: Alejandro González Iñárritu

2014 foi o ano dos heróis! O Marvel Studios conseguiu emplacar os personagens mais desconhecidos dos quadrinhos, levando 'Guardiões da Galáxia' no maior filme do gênero do ano. Ao mesmo tempo para o público mais cult - que insiste em dizer que os blockbusters com encapuzados na capa não podem [devem] ser considerados filmes ou até mesmo arte.

Ninguém melhor que Michael Keaton para o papel, a sua importância para essa "era dos heróis" da todo o charme e uma piadinha quebrando a quarta parede. Todo o elenco do filme agrega muito e não deixa a desejar em nenhum momento, em especial a Gwen Stacy dos novos filmes do Homem-Aranha, Emma Stone; que realmente mostra o quão boa é, e mais uma vez reforça a ideia do "filme cult".

Porém o filme que já chegou com cara de filme de Oscar, tomou para si o manto de sátira à sátira. Em certos momentos o texto do filme acaba por ser tão ácido que soa artificial, A campanha publicitária de 'Birdman' no fim das contas levou o filme para um lado obscuro onde os filmes são amados ou odiados; no caso do filme do Iñarritu você ama odiá-lo. 


O "Homem-Pássaro" do título é o melhor do filme; o pedaço mais verdadeiro da alma do Riggan (Keaton) que sussurra nos ouvidos do ator fadado ao fracasso e desesperado pela atenção dos críticos e do público. Um homem que se rebaixa para ser visto no topo, que num único momento de sanidade vai a loucura. 'Birdman'é um espelho do próprio filme de Iñarritu, ao mesmo tempo que ele tira sarro de todo o mercado cinematográfico ele ainda se ajoelha para pedir um lugar entre os indicados ao Oscar.

Se tem algo que não deixa dúvidas se é bom ou não, verdadeiro ou não são o conjunto trilha sonora e fotografia; a câmera que segue os atores pelo backstage de um teatro da Broadway que se completa com a bateria de Antonio Sanchez.

'Birdman' não é um filme obrigatório, e nem o melhor filme da temporada Oscar mas ainda sim é um daqueles que devemos assistir; o grande problema dele não se encontra nos minutos mas sim na campanha publicitária que almeja enlouquecidamente as estatuetas douradas - sátira ou não chega a ser chato, a ser um bla bla bla...

12 de nov de 2014

Arrow - veja a primeira foto de Katie Cassidy como a Canário Negro.




O canal The CW divulgou as primeiras fotos da atriz Katie Cassidy vestindo o manto da Canário Negro, veja:



Laurel fará a primeira aparição como Canário Negro no 10º episódio da terceira temporada da série intitulado "Left Behind". "Eu acho que a Laurel conquistou isso. Ela passou por momentos muito difíceis, e ainda vai passar por muito antes de se reerguer.", comentou Cassidy em uma entrevista ao The Hollywood Reporter.

A terceira temporada de 'Arrow' é transmitida no Brasil pelo canal pago Warner. Leia as primeiras impressões do terceiro ano da série clicando aqui.


31 de out de 2014

Preview - filmes do final do ano.

Além de festas, presentes e champanhe, os finais de ano também contam com filmes que valem a pena esperar para ver nas telonas. Eis aqui alguns dos títulos para anotar e assistir logo na estréia:

'Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1'

A primeira parte do final da saga de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), uma garota que se torna símbolo da revolução frente a um governo opressor e injusto. O filme promete cenas de ação incríveis e um elenco de peso. O mais novo símbolo do "girl power" da atualidade promete voltar com tudo!

Além de tudo isso, toda a saga 'Jogos Vorazes' conta com uma ótima história que busca referencias da Roma antiga - o governo de "pão e circo", que diverte sua população para que esta esqueça dos verdadeiros problemas - e tem uma protagonista que (como dito acima) representa o "girl power" sem banalizar a personagem, transformando-a numa "princesinha em apuros" ou numa personagem totalmente sexualizada. Certamente 'A Esperança: Parte 1' está entre os filmes obrigatórios de assistir nos cinemas, no dia 19 de novembro.




'O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos'

Este também é um ano de despedida, no dia 11 de dezembro faremos nossa última visita à Terra-Média em 'O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos', filme dirigido por Peter Jackson - o homem responsável por dar vida a grande obra de J.R.R. Tolkien 'Senhor dos Anéis'. 'A Batalha dos Cinco Exércitos' não deve ser levado como o fim da trilogia 'O Hobbit' mas sim como o final da Saga da Terra-Média.

Há muito o que esperar do filme, ainda teremos a conclusão do arco do dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbatch) e claro a grandiosa batalha que da nome ao filme. Não há muito o que dizer, apenas que em 'A Batalha dos Cinco Exércitos' cabeças rolarão e [muitas] lágrimas cairão!




'Operação Big Hero 6'

Esta é a primeira animação da Disney baseada em personagens da Marvel Comics. 'Operação Big Hero 6' usa o nome de um super-grupo criado pela "casa das ideias" para ganhar um maior apelo do público oriental e promete criar uma aventura divertida e emocionante que pode se juntar a 'Frozen' no "hall" das melhores animações do estúdio. O filme estreia no Brasil no dia 25 de dezembro.




'Debi & Lóide 2'

É claro que não poderia faltar este filme na lista. Uma das melhores comédias dos últimos anos ganha uma aguardadíssima continuação com a dupla de protagonistas originais! Obvio que estamos falando de 'Debi & Lóide 2'. E quem aí que não quer ver o Will McAvoy (personagem de Jeff Daniels em 'The Newsroom') ao lado de Jim Carrey mais uma vez, então cancele todos os compromissos do dia 13 de novembro.



Esta época do ano também é conhecida como a temporada do Oscar, já que por causa da proximidade com a premiação os estúdios lançam seus filmes com pretensões a estatuetas durante este periodo para que estes estejam mais frescos na memoria dos votantes (que provavelmente não vão lembrar dos filmes do meio do ano; principalmente se a maioria destes votantes tem mais de 70 anos). Aqui vão alguns dos filmes que podem ganhar indicações ao Oscar que valem a pena conferir:


'Interestelar'

Mais um filme consagrado diretor Christopher Nolan (trilogia 'Cavaleiro das Trevas' e 'A Origem'), 'Interestelar' promete ser um filme de espaço com uma filosofia muito forte; o próprio Nolan já disse em entrevistas que ele buscou referencias para fazer seu filme no clássico '2001: Uma Odisseia no Espaço' de Stanley Kubrick para criar esta aventura espacial.

O filme promete cenas de "piração total" com viagens de espaço-naves em buracos de minhoca, planetas distantes e até (talvez) viagem no tempo - já que viajar nestes buracos de minhoca alteram a relação do tempo e do espaço [desculpem a falta de conhecimento em fisíca]. O filme conta com um grande elenco e é estrelado pelo queridinho de Hollywood momento Matthew McConaughey. Anote aí, dia 6 de novembro 'Interestelar' chega nos cinemas brasileiros.




'O Abutre'

Este é um dos filmes mais falados da temporada do Oscar; Jake Gyllenhaal está arrancando elogios de todos que já assistiram 'O Abutre' ('Nightcrawler') e não é por menos. Na trama do filme, o personagem de Gyllenhaal é um jornalista free-lancer que se torna o melhor em conseguir exclusivas de casos policiais em Los Angeles.

Para não entregar muito do filme só direi o necessário, dia 11 de dezembro assista 'O Abutre' nos cinemas.