Pular para o conteúdo principal

Blog da Isa #02

A MELANCOLIA E A ROMANTIZAÇÃO DESNECESSÁRIA DE LANA DEL REY



Lana Del Rey é o nome artístico de Elizabeth Woolridge Grant, uma cantora e compositora norte-americana. Lana é conhecida por sucessos como Born to Die, Summertime Sadness, Blue Jeans etc, e é famosa no mundo Indie por suas músicas melancólicas com um timbre lento na maioria da vezes, que agrada principalmente o público jovem/adolescente.

Suas canções quase sempre possuem o mesmo tema: uso de drogas e álcool, depressão e ansiedade, suicídio e comportamentos abusivos. Lana tenta passar uma imagem positiva da melancolia e desses problemas, fazendo eles serem vistos como algo belo e normal. 


Outra característica comum nas músicas de Del Rey é o seu som cinematográfico com diversos aspectos da cultura pop, principalmente o glamour da década de 1940/50(que pode ser visto em seu visual e videoclipes) e o tão falado “Sonho Americano”.

Na música Ultraviolence, lançada em 2014 ela canta a seguinte frase:
Posso ouvir sirenes, sirenes
Ele me bateu e foi como um beijo” e continua, “Ele me feriu, mas parecia que era amor verdadeiro
” - leia mais

A música parece falar que é natural estar em um relacionamento abusivo e que não há problema se o(a) seu(sua) companheiro(a) te agredir, já que ele(a) te ama. Reforça que atitudes obsessivas, ciúme excessivo e controle, são coisas normais em um relacionamento amoroso.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, Lana disse que queria estar morta. A cantora ainda garante que a afirmação não é uma brincadeira. 
Perguntada pelo repórter Tim Jonze se ela vê glamour na morte, a artista responde: “Não sei. Talvez.”

A frase se popularizou na época da publicação da entrevista, e “querer estar morta” se tornou o lema da cantora para alguns fãs - link para quem quiser ler mais sobre

Lana glamouriza a morte quase o tempo todo em suas músicas, e são outros inúmeros exemplos seja no cinema, em livros etc.
Em um texto anterior sobre a série os 13 Reasons Why, eu abordei esse tema onde falei da personagem Hannah, que sofre uma romantização desenfreada no decorrer da série, principalmente na cena de seu suicídio


Nos tempos atuais, a depressão e outros problemas psiquiátricos são considerados algo bonito, trazendo a ideia de que é legal você viver com isso. Suicídio não é belo muito menos atraente, e não corresponde com o que vemos/ouvimos seja na internet, ou não televisão.

No ano passado, a artista lançou seu 4° álbum intitulado “Lust For Life”, que pode ser traduzido como “Tesão pela vida”, onde ainda exalta uma espécie de amor trágico em suas letras, mas que mostra uma perspectiva diferente da vida, deixando pra trás toda aquela ideia de o trágico ser algo atrativo.

Link completo pra quem quiser ouvir:


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

La Casa de Papel e por que a gente gosta de anti-heróis?

La Casa de Papel /Reprodução: Antena 3 Sucesso de crítica e publico , La Casa de Papel se tornou rapidamente um fenômeno da internet, no Brasil - graças a Netflix que já disponibilizou as duas partes, não foi diferente. É possível que na timeline de muitos tenham aparecido vários posts e fotos da série; como ainda não vi a série, não posso afirmar que é incrível ou ruim, mas claramente da pra falar sobre os personagens e sobre a afeição que foi criada nessas ladras e ladrões "boa pinta". Pra falar sobre isso, antes vamos voltar alguns anos no tempo. Mais exatamente em 1999 com uma das séries mais elogiadas e premiadas da história da TV norte-americana; Família Soprano da HBO que talvez seja a responsável por essa nova leva de anti-heróis empáticos na TV e no cinema. O personagem principal da série é Tony Soprano (James Gandolfini) um mafioso no melhor estilo O Poderoso Chefão (na série os personagens fazem referencia ao clássico do cinema) que no meio de problemas ...

Euphoria: Drogas na adolescência, depressão e sexualidade

Reprodução: HBO Provavelmente já fazem uns dois meses que o blog não vê um texto novo. Bom, e assuntos não faltaram nesse meio tempo; são 200 dias de caos na presidência. A terceira temporada de Stranger Things chegou e também teve o documentário Democracia em Vertigem causando muito barulho na twittersfera . Bom mas não é pra isso que esse texto é; como venho de um hiato grande desde o último texto e este, resolvi trazer um assunto do qual nunca tive oportunidade de escrever e que é combustível para muitos e muitos conteúdos que vemos nas timelines - sejam eles bons ou não. É quase certo que você que está lendo esse texto conhece alguém que usa (ou já usou) drogas, que sofra de depressão e/ou ansiedade, alguém que não se relaciona bem na escola, que não é popular o suficiente. Conhece? Se sim, você julga essa pessoa pelo que ela transparece; e se julga, qual o seu parâmetro de comparação? Difícil responder isso mas acredito que todos nós vez ou outra na vida se deparou com i...

Insecure; [homem] falar de mansplaining é mansplaining ? e Lugar de Fala: parte #01

Escrito em 28 de setembro de 2018 Se este texto vai ser mais um exemplo de  mansplaining eu não sei  - e nem quero que seja; embora o título de a entender tal coisa. Já me compliquei na primeira linha, e agora? Devo explicar o que é  mansplaining ou este ato de explicar seria já um  mansplaining ; o paradoxo é quase que impossível de fugir ... mas o homem não pode aprender com a mulher? [e este mesmo, quando se recusa a se abrir e entender o mundo para além de seu p*nto, é realmente um escroto ou apenas uma pessoa afogada em insegurança ? [ESTE TEXTO NÃO TEM SPOILERS DA SÉRIE] Reprodução: HBO Agora que a deixa para falar sobre Insecure  já tá aí, vamos primeiro contextualizar onde essa série existe: É uma produção original da HBO, criada, produzida e estrelada por Issa Rae. A série é uma comédia de erros que lembra muito outras produções do canal como Girls  e Sexy in the City  - tanto pelo elenco feminino, quanto pelos problemas que as a...